Vento Doblio
O vento é tradutor de sonhos, leve e frio,
transforma desejos em sílabas para esquecer,
entrega-os ao sopro que não se contém,
e os alinha numa página sem nome.
Cada sonho vira instrução para o esquecimento,
um guia de omissões ditado pelo ar lento,
regras de silêncio que se aprendem em cada sopro,
palavra que apaga a memória como neve.
Se o vento ordena, só resta fechar a porta,
abrir para uma noite que não pede explicações,
as palavras se dissolvem em névoa que ninguém recolhe,
o alvorecer permanece neutro, entre as linhas do esquecimento.