Pétalas de Memória
O tempo semeia orquídeas nos muros da cidade parada,
o tráfego prende fôlego, vela pregada,
as pétalas abrem horas sem eco entre fissuras e luzes trêmulas,
e uma nota perfuma a memória que não se parte.
Cada pétala carrega um nome gravado no vidro do entardecer,
Maria, Giovanni, Ada, nomes que caminharam aqui,
a chuva escreve-os como alfabetos nas pedras,
e a cidade prende o fôlego para ouvir o passado.
Nas fachadas, orquídeas tornam-se romances em preto e branco,
perfume que tece silêncios, linha secreta de poesia oculta,
quem passa fica uma sombra que muda cor ao pôr do sol,
o tempo, paciente, deixa os nomes viverem no muro.