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Versisognanti

Luz que lava

A luz escorre entre dobras de um dia nunca vivido,
lava as memórias, desbota-as como tinta na prata do amanhecer,
cada imagem dobra, respira, se dissolve ao toque,
resta apenas um vazio brilhante que não conhece o tempo.
As memórias desenham-se em fissuras tênues no tempo,
como pão quente que traz o perfume do silêncio e do não dito,
a memória permanece límpida, trémula, espelho de mundos não vividos,
e a luz murmura um amanhã que nunca chegou.

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