Salta al contenuto principale
Versisognanti

A Espera Imóvel da Semente Adormecida

Na gaveta de madeira escura,
entre fios e memórias espalhadas,
repousa uma semente, pequena e pura,
ignora dos verdes futuros.
Dorme um tempo sem medida,
um segredo ainda não revelado,
o desenho de uma vida futura,
do escuro quente, jamais despertado.

Nenhum beijo de chuva a roça,
nem carícia do vento ou do sol,
só o ar parado que demora
entre restos e palavras em arrebol.
Mas por dentro, uma energia se aninha,
um sussurro de raiz e caule,
uma força que não diminui,
como um céu minúsculo, intacto e raúle.

É um universo em casca adormecida,
um destino mudo, só em potência,
a lembrança de um campo sem medida
e o desafio de cada latência.
Uma interrupção, uma respiração lenta,
do que poderia ser verde,
no seu silêncio imóvel e paciente,
que jamais se apressa nem se perde.

Mais poemas