Tempo de seda
A memória das escadas desliza para trás,
cada degrau repete um passo que não volta,
um eco de chave quebrada fecha o corredor.
Tecendo o tempo em fios de seda partida,
as horas se anudam em pausas sem voz,
e o corrimão retém o sopro dos dias.
Cada degrau é página que o vento dobra,
as palavras voltam como neve nas escadas,
o quarto retém a ternura de uma memória apagada.
Quando o dia se dobra, a subida se renova,
um fio se anuda e começa a correr,
a memória das escadas tecida de seda partida respira.