Chave de Vento
Entre as horas paradas, uma chave de vento se materializa
desliza no silêncio, leveíssima, sem peso
abre uma porta que não tem maçaneta nem batida
As portas invisíveis emergem do suspiro cotidiano
onde o tempo retém a voz e deixa entrar o alvorecer
um corredor de ar torna-se lar para passos novos
Tramas de luz se estendem entre as paredes da hora
a chave gira, contando segredos a quem escuta
as coisas ordinárias tornam-se pequenos mundos
Quando o dia se estende, resta a chave de vento sem pó
entre silêncio e horas abrem-se vias secretas
cada suspiro é uma chave que ousa abrir o invisível