Salta al contenuto principale
Versisognanti

Banco-Nau

O banco não é um banco, é uma nau de suspiros.
As tábuas respiram ao ritmo da chuva, prontas para atracar.
Desliza entre os postes e guia passos para águas invisíveis.
O horizonte refletido é uma memória que treme.
O leme é um suspiro, giras-no para voltar atrás.
As gotas fazem velas e sussurram o que esqueceste.
Atravessa águas silenciosas da chuva, onde memórias perdidas buscam portos.
Cada vela é uma pergunta que fica aberta.
O motor está quieto, mas vigilante ouve os silêncios emergir.
Nomes e lugares, como estrelas pequenas, voltam no mapa de nuvens.
As luzes dos postes tornam-se faróis em portos interiores.
O passado se alinha ao leme, pronto para partir de novo.
Quando a chuva cala, o banco-nau para na margem do coração.
Portos novos se abrem onde antes havia vento.
Partes leve, com uma memória recém-nascida entre os dedos.
Assim a viagem vira lar mar por dentro, história por fora.

Mais poemas