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Versisognanti

Vela de Memória

No casco do rádio quebrado, a memória cresce como vela.
O vento das recordações enche o tecido entre fios apagados.
Uma vela silenciosa se ergue, pronta para desafiar leco.
A voz extinta canta silêncio, mas o ar torna-se memória.
A vela absorve vozes perdidas e as dispõe no coração.
Cada batida estática torna-se uma vela que ganha altitude.
Agora o rádio é mar, a vela navega sem rota, mas confiante.
A memória cresce, acendendo luzes pequenas entre as ondas da noite.
Quando o canto silencia, resta em nós uma vela que canta silêncio.

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