Chuva que canta
O silêncio aprende a cantar através da água da chuva,
uma voz que corre nos telhados e se reflete nas poças.
cada ribeiro de chuva relê a cidade, página ainda virgem,
memórias que não têm pressa de folhear, ouvidas na água.
O canto se eleva, leve, entre luzes que tremem e passos que lentamente param,
as ruas alinham-se como letras que encontram o seu lar.
a cidade revela páginas jamais folheadas, prontas para serem lidas pela água,
e o silêncio, tornado canção, fecha o dia com um sopro de chuva.