Biblioteca das Sombras
A biblioteca das sombras repousa, luzes apagadas e pó de silêncio.
Só quando a chuva conta os segredos do céu, os volumes se abrem.
As páginas cheiram a chuva e a metal; parecem respirar uma chave de cobre.
As letras tremeram, e um sussurro líquido invade o salão.
Lá dentro, as histórias se desdobram como constelações numa mesa molhada.
Cada capítulo aponta uma trajetória de nuvens, cada linha um trovão suave.
Quem lê escuta o pulsar do céu, menos voz, mais tempo que passa.
E quando a última gota cala, a biblioteca se fecha, à espera da próxima chuva.